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O consumidor consciente e as coberturas dos planos de saúde.

 

Senhores Beneficiários,

Sabemos que o país vem passando por diversas crises. Um exemplo recente disso foi a crise de água, que fez com que a população percebesse a necessidade de racionalizar esse bem tão precioso. Por isso, aproveitando a oportunidade, enfatizamos o uso consciente do plano de saúde, uma vez que a utilização inadequada o encarece.

Precisamos entender que o nosso comportamento em relação à utilização do plano refletirá diretamente na sinistralidade e, nas operadoras de autogestão, esse tipo de procedimento afeta diretamente a todos os membros beneficiários. Assim, compartilho com vocês a matéria publicada no Jornal Monitor Mercantil que corrobora esse fato. Vejamos:

 

O consumidor consciente e as coberturas dos planos de saúde

Muito se fala que as operadoras de planos de saúde são o vilão da relação com o consumidor, que têm grandes lucros e quando o consumidor mais precisa elas não honram o contrato. Tal apontamento, porém, não é privilégio do setor de saúde suplementar, pois acaba sendo ecoado por empresas de outros segmentos, muitas vezes acusadas de descumprir o contrato com o consumidor.

É verdade que grandes empresas – não todas – são demandadas pelos consumidores por diversos canais internos e do nosso sistema de Justiça. E elas devem se estruturar para atender aos chamados dos seus clientes e demonstrar, a ele e à Justiça, que se preocupam e promovem a adequação necessária para honrar as suas responsabilidades a contento.

Segmento corre risco de ficar insustentável em no máximo dez anos

A saúde suplementar vem há algum tempo sendo destaque nos tribunais e nas manchetes dos jornais, o que torna obrigatório por parte das empresas o diagnóstico dos casos e investimento intenso para melhorar o atendimento e mitigar a judicialização.

E isso vem ocorrendo. Com uma simples busca na internet é possível identificar iniciativas promovidas pelas principais operadoras do país – algumas com premiações conferidas pelo Poder Judiciário – visando sempre atender melhor o seu consumidor e diminuir a judicialização do setor.

Recente pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência identificou que 80% dos brasileiros que possuem plano de saúde estão “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com os seus planos. Um resultado que demonstra o crescimento de 5 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

Por outro lado, será que só as empresas devem agir com correção? Nós, consumidores, sempre atuamos de forma clara e com a devida boa-fé perante as empresas e a coletividade? O consumidor tem ciência do que está contratando e os respectivos limites de cobertura do seu plano de saúde? Será que ele tem ciência que o uso desmedido do plano também impacta diretamente no percentual de reajuste anual e no preço final para o consumidor. E, principalmente – cerne dessa opinião – será que ele faz o uso correto, racional e consciente do seu plano de saúde?

Tenho certeza que a maioria dos consumidores age de boa-fé e tem ciência das suas responsabilidades. Mas, certamente, nesta relação existem consumidores desatentos, que não se preocuparam com o que estão contratando e com a correta forma de utilização.

Com cerca de 47,4 milhões de consumidores que possuem planos de saúde no Brasil, qualquer deslize no gerenciamento da receita e dos custos desses beneficiários pode impactar significativamente em determinada operadora/seguradora, em especial as menores.

Por que o consumidor consciente é tão importante para a manutenção desse tipo de segmento, que corre o risco de ficar insustentável em no máximo dez anos? Porque ele fará o uso adequado e sem exageros do seu plano. Ele é o “fiscal” de correção e conformidade das suas próprias ações e dos prestadores de serviços – médicos, hospitais, clínicas etc – impedindo desvios, exageros, e fazendo valer o limite da sua contratação sem que impacte negativamente no restante dos beneficiários.

Já que a população do Brasil está envelhecendo a cada dia – hoje contamos com mais de 26 milhões de idosos, em uma população de aproximadamente 208 milhões de habitantes, com uma curva decrescente de crianças de 0 a 13 anos de idade – e a inflação médica aumentando (20,4% na última pesquisa divulgada pelo IESS, Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) – precisamos ter a consciência da correta utilização do plano de saúde.

Outro número que contribuiu para essa preocupação e consciência decorre do desperdício dos gastos. Cerca de R$ 22,5 bilhões – 19% do total gasto – foram relacionados a desperdícios e fraudes nas coberturas assumidas pelas empresas que operam planos de saúde no Brasil no ano de 2016. Um número assustador e que impacta diretamente nos percentuais de reajustes assumidos por nós, consumidores, e no próprio preço de comercialização dos planos de saúde.

Precisamos ter conhecimento do impacto produzido pelo uso desmedido do plano de saúde e utilizá-lo de forma consciente, respeitando os limites do contrato. Da mesma forma, as empresas que compõem esse segmento devem proporcionar aos consumidores as coberturas nos moldes da contratação e nos termos do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde editado pela ANS, através da Resolução Normativa 428/17.

É ela – ANS – quem define a cobertura mínima contratada pelos consumidores junto às suas operadoras, assim como o índice de reajuste anual para os planos individuais e familiares, que vem sendo alvo de discussão nos últimos dias em razão da propositura de Ação Civil Pública por parte do Idec em face daquela Agência, questionando a forma do cálculo daquele índice.

Uma dicotomia interessante para a discussão: ao mesmo tempo que queremos ter todo o tipo de cobertura pelo plano de saúde, não queremos, porém, pagar o valor adequado pelas coberturas contratadas e os respectivos reajustes – anuais e por faixa etária – que compõem a cesta necessária para o equilíbrio da relação.

Nesse âmago que estamos vivendo há alguns anos em busca de uma sociedade mais correta, justa, coletiva e menos individualizada, isenta de vaidades, desjudicializada e de mais interlocução, precisamos mostrar que a mudança começa por nós consumidores, até por questão de sobrevivência do setor. E por que não começar essa quebra de paradigma através do uso consciente dos nossos consumos e do plano de saúde?   (Alexandre Boccaletti - Monitor Mercantil)