Quarta-feira, 23 de julho de 2014. 


Cuidados com problemas respiratórios


Febre, vômito, dores de cabeça, na barriga, no corpo, mal-estar, fraqueza. Os sintomas, característicos de doenças virais, podem se manifestar em gripe, resfriado, dengue, leptospirose, problemas comuns da época de chuva. Seja em criança, adulto ou idosos, médicos recomendam evitar a automedicação e procurar atendimento para que seja feito o diagnóstico e a enfermidade tratada adequadamente.

A pediatra Edna Marques, coordenadora de Pacientes Internados no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), diz que a chuva e a mudança de temperatura fazem aumentar os casos de problemas respiratórios (gripes, bronquite, pneumonia) e digestivo (diarréias). Nesse período, as pessoas ficam mais em locais fechados, favorecendo a disseminação dos vírus.

Uma das medidas de prevenção é evitar ambientes aglomerados, contato com pessoas doentes e manter-se bem hidratado. 'Já estamos percebendo um leve crescimento da procura por atendimento'. Ela acredita que se continuar chovendo, a tendência é aumentar a demanda de pacientes no Hias.

Mas como saber se os sinais são de gripe, dengue ou outra doença viral? A febre é um dos sinais de que o organismo está tentando reagir a um vírus ou bactéria. A pediatra ressalta que a febre é uma manifestação normal do organismo e que geralmente os sinais da doença surgem depois de 24 horas a 72 horas do aparecimento da febre.

Após esse período é que o quadro se define. Porém, se no primeiro dia de febre, a pessoa já apresenta vômito, diarréia, mal-estar geral deve procurar uma unidade saúde imediatamente para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento.

Se for gripe, aparece a coriza, obstrução nasal, tosse. Neste caso, Edna Marques observa que o importante é manter a criança hidratada, com oferta de sucos de frutas, água. A bronquite e pneumonia são infecções respiratórias muito freqüentes na infância que podem surgir após quadro de gripe. O mesmo cuidado é válido para os adultos.

No caso da dengue, aparecem as dores nos olhos, na cabeça, articulações, fraqueza e as manchas vermelhas pelo corpo. A médica diz que, embora seja mais freqüente a partir da adolescência, já há registro de casos de dengue em crianças acima de cinco anos e que os pediatras estão atentos aos sinais da enfermidade na infância.

O rotavírus é o principal agente causador de diarréia, principalmente, nas crianças, que manifestam vômito, febre. 'Tem de procurar logo um médico, pois a criança pode desidratar'.

Fabiana Silva, pediatra do Centro de Saúde Roberto Bruno, observa que os alérgicos e portadores de asma também apresentam mais crises no período. De um modo geral, ela observa que é recomendado hidratar as crianças, alimentá-las bem a fim de evitar as doenças.

É o que faz a dona de casa Luciana Teixeira, mãe de Emanuel, sete meses. 'Ele está gripadinho, mas não tem febre e está bem'. Fabiana diz que se a criança tem febre, tosse, cansaço, é aconselhável procurar um médico, pois pode ser pneumonia. As pediatras ressaltam que os pais devem evitar automedicar as crianças e procurar uma unidade saúde mais perto de casa.

As conjuntivites também aparecem mais nessa época do ano. Evitar contato com pessoas doentes, não coçar os olhos e não utilizar medicamentos sem a prescrição médica são cuidados que devem ser adotados.

O clínico Álvaro Borges, do Centro de Saúde Roberto Bruno, diz que a dengue é a doença viral do momento e que as pessoas devem ficar atentas e evitar fatores que favoreçam os focos. Infecções bacterianas na garganta, gripe, diarréias precisam ser tratadas corretamente, mesmo quando se tratar de adultos.

SAIBA MAIS

-Gripe: Doença contagiosa causada pelo vírus influenza. A medicação é para aliviar os sintomas como obstrução nasal, febre, irritação da garganta, dor muscular, tosse. Existe vacina para gripe.

-Resfriado: É uma infecção leve das vias aéreas superiores (nariz e garganta).
Sintomas: coriza, espirros, febre.

-Rinite: Inflamação ou irritação da mucose que reveste a camada do nariz.
Sintomas: espirros, coriza, coceira no nariz, obstrução nasal.

-Diarréia: O tipo mais freqüente é a causada pelo rotavírus. Na diarréia viral o processo de desidratação é mais rápido. A vacina é indicada para os bebês no segundo e quarto meses de vida. Cuidado com água, que deve ser tratada, filtrada ou fervida.
Sintomas: diarréia intensa, vômito, febre.

-Asma: Doença inflamatória crônica das vias aéreas.
Sintomas: chiado no peito, tosse, dificuldade de respirar.

-Pneumonia: É uma infecção aguda causada por bactéria e que atinge os pulmões.
Sintomas: tosse com secreção, dor no tórax, febre alta, calafrio.

-Meningite: É uma doença causada por vírus ou bactéria que consiste na inflamação da membrana que recobre o cérebro e a medula espinhal. É recomendado procurar um serviço médico de urgência.
Sintomas: febre alta, náuseas, dor de cabeça com enrijecimento do pescoço.

-Dengue: É uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Repouso é fundamental. A medicação usada é apenas para diminuir as dores e febre.
Sintomas: febre, dor de cabeça, fraqueza, dor nos olhos e articulações, manchas avermelhadas na pele.

-Leptospirose: É uma doença infecciosa causada por uma bactéria presente na urina dos ratos. A bactéria se espalha nas águas e a transmissão ocorre por meio do contato com água contaminada. A doença pode afetar os rins, fígado.
Sintomas: febre alta, dor muscular, mal-estar, dor na 'batata' das pernas, cor amarelada na pele e urina escura.

-Conjuntivite: É a inflamação da membrana (conjuntiva) que cobre o olho. Evite colocar pomadas ou colírio sem prescrição médica.
Sintomas: coceira e sensação de areia nos olhos, olhos vermelhos, sensibilidade à luz, inchaço das pálpebras, secreção nos olhos.

O QUE FAZER

-Gripe, resfriado: Manter-se bem hidratado, evitar locais aglomerados, repouso e boa alimentação.

-Diarréia: cuidar da alimentação e hidratação. A água bebida deve ser tratada, filtrada ou fervida.

-Os adultos com quadro viral podem apresentar dor no corpo, febre, vômito, diarréia, fraqueza. A hidratação do organismo é fundamental. É recomendado procurar um médico.

Fonte: pediatras Edna Marques, Fabiana Silva e Bando de Dados do O POVO